Delivery do futuro: conheça as novas tecnologias de entregas para seu restaurante

Todos os dias novas tecnologias são criadas para aprimorar o cotidiano dos trabalhadores. Nos anos 60, o contínuo crescimento nas vendas de microondas abriu as portas para a indústria de alimentos congelados. As mulheres estavam ingressando no mercado de trabalho em número recorde e, quando voltavam para casa depois do expediente, elas estavam mais interessadas em relaxar do que em cozinhar. Logo, as marmitas congeladas tornaram-se uma necessidade do consumidor, e um modo rápido de aquecê-las fez com que o microondas fosse a solução ideal mais viável.

Indiscutivelmente, um êxito ainda mais poderoso que o microondas foi a inclusão dos dispositivos móveis no ramo alimentício, desencadeando uma nova era na indústria de entrega de alimentos. Hoje, não só existem mais oportunidades de interação e comunicação com o celular, mas também a experiência dos consumidores com os aparelhos móveis é superior.

E a tecnologia não para por aí. Se o passado trouxe o microondas e o presente oferece os aplicativos de delivery, então o futuro nos reserva algumas boas surpresas para facilitar o dia a dia do proprietário de um restaurante. Aliás, é possível dizer que estamos a um passo do futuro do delivery de comida.

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Há apenas alguns anos, não importava muito se o pedido chegava com uns 15 minutos de atraso, mas hoje essa situação seria considerada um desastre. As pessoas simplesmente não possuem mais tempo ou paciência! Então, o que você acha de um sistema de delivery comandado por drones ou robôs? Essa solução não é tão absurda o quanto você pensa, e não é mais algo relacionado apenas aos filmes de ficção científica.

A era robótica está chegando, e veio para ficar. Os humanos podem ser imprevisíveis, e embora promessas sejam feitas que a entrega será feita no tempo estimado, às vezes a logística falha. Nós também tendemos a ficar um pouco entediados realizando trabalhos repetitivos, como entregas – por outro lado, os robôs não. E eles nunca farão uma curva errada no caminho para sua casa!

O delivery feito por drones

Em alguns anos, é possível que você realize compras pela internet e, como método de entrega, apareça uma opção chamada “via aérea”... e por que não? Várias empresas já estão pensando na possibilidade de usarem drones para entrega de encomendas num futuro próximo.

A empresa Amazon anunciou, há alguns anos, seu interesse por um projeto que envolve o uso de drones para delivery, que acabou sendo denominado Prime Air. Não é surpresa que a empresa tenha se mostrado a favor dessa solução para entregas, já que trabalha com uma plataforma que vende inúmeros produtos, de diferentes categorias, desde eletrônicos e artigos de papelaria até roupas e utensílios domésticos.

De acordo com a Amazon, 86% dos produtos vendidos em seu site possuem peso inferior a 2,2 kg, que é o limite de carga que os drones de oito hélices (ou octópteros) conseguem carregar sem que ocorram problemas. Uma vez que os drones podem reduzir os custos com entregas, a Amazon tem muito a ganhar com a introdução dessa tecnologia ao delivery.

Há outra grande vantagem dos drones em relação aos métodos tradicionais de entrega, principalmente para os consumidores: as remessas podem ser entregues mais rapidamente, levando apenas 30 minutos para estarem na casa do cliente após a confirmação do pagamento. No entanto, isso só seria válido para endereços que estivessem localizados em um raio de até 16 km a partir dos centros de distribuição da Amazon.

Outra grande empresa que está ingressando no mercado de drones é a Google. Assim como a Amazon, ela anunciou seu interesse há pouco tempo e revelou o nome do drone que está desenvolvendo: Project Wing. As aeronaves não tripuladas vêm sendo desenvolvidas no Laboratório X, o mesmo responsável pelo Google Glass.

Inicialmente, o Project Wing foi pensado como uma solução hospitalar, especificamente para o transporte de desfibriladores. A idéia é que o aparelho chegasse às mãos do necessitado em pouco tempo, antes mesmo da equipe de socorro chegar ao local – imagine só uma parada cardíaca, por exemplo… cada minuto é essencial, e um desfibrilador em mãos pode significar maiores chances de um ser humano continuar vivo.

Contudo, a legislação dos Estados Unidos trouxe muitas dificuldades para a integração dos drones nos serviços de emergência, levando o Google a alterar o foco do Project Wing. Ao invés de serem utilizados por hospitais, os drones foram desenvolvidos para carregarem suprimentos para vítimas de catástrofes e entregar mercadorias em áreas muito distantes.

O drone criado pelo Google possui 1,5 m de largura, pesa 8,6 kg e é locomovido através de pequenos motores elétricos embutidos em suas asas, que lembram as de um asa-delta. O Project Wing também conta com sensores, rádios e câmeras, responsáveis por auxiliar a orientação e monitoramento dos drones. Acredita-se que esses drones poderão voar numa altitude média de 120m acima do chão.

Deivery feito por drones

Deivery feito por drones

Assim como o Prime Air, o drone da Amazon, o Project Wing não possui uma capacidade de transporte boa, sendo capaz de carregar no máximo um produto de 3 kg – pelo menos por enquanto. Embora o limite de peso não seja grande, muitos aparelhos, ferramentas e medicamentos podem ser transportados por estes drones.

É interessante comentar que o procedimento de entrega pelo drone do Google é peculiar: não há pouso do drone, mas sim, uma aproximação do solo na qual a aeronave libera uma corda com a encomenda. Embora possa realizar a aterrissagem, a empresa afirma que manter o Project Wing no ar diminui o risco de acidentes com animais ou fios elétricos.

O Google começou os testes de seu drone para entregas na Austrália, pois o país possui normas mais flexíveis quanto a aeronaves sem tripulantes comandadas remotamente. Hoje, no entanto, a empresa já conseguiu autorização da Casa Branca para começar a realizar testes com os drones de delivery nos Estados Unidos, em parceria com a Agência Federal de Aviação (FAA).

Os testes dos drones em solo (ou melhor, céu) americano serão realizados em seis lugares diferentes, determinados previamente pelo FAA. Segundo eles, o objetivo desse procedimento é para que o Google obtenha experiência no controle total de seus drones para entregas em áreas consideradas seguras.

Os desenvolvedores do Projeto Wing pretendem criar alguma solução para que os drones sejam controlados além do campo de visão do operador, e também reproduzir um sistema de tráfego aéreo eficiente utilizando-se de tecnologias de comunicação já existentes e de baixo custo, de modo que o produto final não pese no bolso dos compradores.

Mas há um problema… apesar da “parceria” recém formada com o FAA, a agência se mantém firme em relação aos seus regulamentos, que determinam que qualquer aeronave não-tripulada deve ficar dentro do campo de visão do operador, indo contra ao desejo da equipe criadora do Project Wing. E de certa forma, essa não é só uma dificuldade para o Google, mas também para empresas que desejam utilizar os drones para realizar entregas à domicílio.

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Logo, embora estejam praticamente prontos, os drones do Google e da Amazon ainda vão demorar a serem vistos no céu ao redor do mundo. Isso porque o processo de utilização dessas aeronaves envolve regulamentações, que variam de país para país. No Brasil, por exemplo, não existe nenhuma lei conclusiva acerca do assunto.

Mas não são somente as empresas mais renomadas que detêm o controle sobre os drones para fins de entrega de comida. Os testes de delivery de alimentos por drones também têm sido realizados por outra grande companhia: a Foodpanda, fundada em Berlim. A empresa fornecedora de aplicativos de delivery online, que opera em mais de 35 países, está testando a entrega de comida por drones em Singapura, devido ao fato da legislação ser menos burocrática no país.

A Foodpanda prevê a implantação de drones para delivery de comida em todo o país de Singapura, para os próximos anos. O principal objetivo é oferecer uma entrega com tempo estimado inferior a 30 minutos.

A lógica por trás da intenção de expandir as entregas de comida por drones tem dois motivos: economizar gastos relacionados ao delivery feito por humanos e aumentar as vendas, já que a experiência nos mostra que quanto menor for o tempo de entrega, com maior frequência as pessoas fazem pedidos.

Robôs que realizam entrega de comida à domicílio

Desde que a Amazon expôs pela primeira vez sobre seus planos de um dia realizar entregas por drones, o mundo ficou cativado com essa visão do futuro. Mas uma nova empresa, fundada por dois dos criadores do Skype, imagina um futuro diferente, no qual robôs autônomos realizam o delivery de mercadorias pequenas.

A Starship Technologies, formada por Ahti Heinla e Janus Friis, está hoje desvelando sua própria visão do que seria um robô especializado em entregas: um aparelho pequeno de seis rodas capaz de carregar até 9 quilos em 1,6 quilômetros ou mais a partir de uma central de serviços.

A idéia da Starship é que estes robôs façam suas entregas com um preço entre 5 a 15 vezes mais barato que o delivery realizado por uma pessoa. O foco da empresa é oferecer seus robôs primeiramente às mercearias, embora também os imagine funcionando perfeitamente com encomendas padrões. Enquanto a média de gastos com entregadores está entre R$ 5,00 e R$ 15,00, a Starship pretende diminuir os custos para R$ 1,00 por viagem.

O sistema da Starship é bem simples: os usuários fariam o pedido através do aplicativo para celulares do restaurante e então escolheriam um tempo estimado para entrega. Na hora determinada, o robô sairia de sua sede, navegaria pelas ruas da cidade com destino à casa do consumidor, e logo completaria a entrega. A Starship garante que o robô pode carregar até duas embalagens de alimentos por entrega.

Apesar de a Starship esperar que seus robôs logo estejam realizando entregas de alimentos e mercadorias pelo mundo todo, a empresa não planeja utilizá-lo em ambientes urbanos densos. Pelo contrário, o principal alvo são áreas com cerca de 2.500 famílias por km², um número muito menor que uma cidade metropolitana. O motivo é que os robôs ainda não são capazes de manejar as complexidades de tráfegos e pedestres em lugares mais populosos.

Mas as cidades menos densas e os subúrbios estão bem na mira da Starship. Graças a diversas câmeras e sensores colocados por todo canto do pequeno robô, estes aparelhos podem navegar com cuidado através das calçadas e atravessar ruas em seu caminho à casa do consumidor.

A Starship, com sede em Londres (com escritórios na Estônia e nos Estados Unidos), está planejando lançar dois projetos pilotos, com cinco robôs cada, ainda este ano, e espera iniciar uma produção comercial de alta escala em 2017.

Nossa equipe encontrou um desses robôs em demonstração em São Francisco na Califórnia, veja aqui desses robôs para delivery de restaurantes.

Veja um vídeo gravado pela equipe do Programa Consumer em São Francisco com os robôs da Starship.


 

Vantagens do uso de robôs para entregas

É claro que existem várias vantagens em utilizar robôs como pombos-correio, como o custo envolvido – robôs são muito mais baratos que pessoas – e a conveniência – um robô não se importaria de realizar um entrega às duas horas da manhã, enquanto uma pessoa provavelmente se perguntaria o porque daquele consumidor não estar dormindo ainda.

A capacidade de programar o tempo de entrega para cada indivíduo também é outro fator importante para os parceiros da Starship Technologies. Por exemplo: quando os entregadores saem para as viagens, eles são obrigados a fazer muitas paradas durante o caminho, dificultando o cálculo exato do tempo estimado para cada entrega. Os robôs não.

Além disso, ninguém gosta de passar horas esperando um entregador apenas para ter uma mercadoria entregue. Portanto, serviços de entrega agendados se tornarão cada vez mais importantes nos anos porvir. Imagine só... vários robôs individuais sendo enviados para cada entrega acabaria com este problema – porque no final das contas, o robô teria apenas um consumidor.

Vale lembrar também que os robôs da Starship Technologies foram construídos dentro de um conceito ecológico, e não realizam a emissão de dióxido de carbono na atmosfera.

Pronto para assumir

Os robôs da Starship são capazes de reconhecer e evitar a maioria dos obstáculos, incluindo pessoas ou animais, e também obedecer às luzes e regras do semáforo.

Na maior parte, trabalhadores localizados em uma central de operações iriam primeiramente mapear toda a área do serviço de entrega, permitindo que o robô operasse em estradas conhecidas e seguras. Afinal, os robôs não estão tomando decisões por conta própria. Eles apenas irão cruzar as ruas em lugares que os “cartógrafos” humanos determinaram serem seguros de atravessar.

No entanto, em alguns casos os robôs podem encontrar situações com as quais eles não saibam lidar. Quando isso acontecer, um operador humano na central de operações – que é capaz de ver tudo ao redor do robô através as diversas câmeras embutidas – pode assumir o controle e direcionar o aparelho ao redor do obstáculo.

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E, embora pequenos robôs carregando comidas deliciosas possam parecer alvos fáceis para cidadãos gulosos ou maliciosos, a empresa afirmou que não houve nenhum incidente, ou tentativa de vandalismo ou roubo, durante os testes com os robôs, e disse ainda que o acompanhamento de perto e os vários sensores devem afugentar qualquer gracinha que alguém venha a fazer.

A Starship reconhece que muitas pessoas se preocupam com a possibilidade de os robôs serem roubados. Nessa situação, a empresa afirma que um operador humano falaria com o ladrão através dos alto-falantes embutidos, avisando-o de que, graças ao GPS incluso no robô, a polícia está a caminho.

O objetivo é que os robôs operem de forma autônoma 99% do tempo.  O ideal seria que apenas 1% das viagens envolvesse a intervenção humana. Durante os primeiros projetos pilotos, é provável que os humanos controlem os robôs por cerca de metade do tempo, embora a empresa espere que esse número caia para 10% até o final de 2016.

Regulamentos em relação aos robôs

A Starship está ciente de que diferentes cidades, estados e países possuem leis distintas que governam aparelhos como robôs autônomos. Apesar disso, a empresa acredita que há uma liberdade operacional considerável em muitas partes do mundo. Em alguns casos, a Starship até já recebeu permissões escritas de municípios para operar seus robôs. Mas existem também lugares que não existem agentes de veículos que regulem esses aparatos.

É importante lembrar que os robôs não são como carros. Não há a intenção de que eles sejam utilizados nas ruas, mas sim, nas calçadas. Isso exclui os robôs de serem caracterizados como carros. É claro que os robôs teriam de atravessar ruas, o que certamente necessitaria que eles fossem regulamentados de alguma maneira.

Não há dúvidas de que os drones para entrega de alimentos são atraentes, e que haverão muitas empresas que certamente irão utilizar dessa tecnologia aérea em um futuro próximo. A questão é se o mesmo se trata de um sistema econômico e seguro para alcançar a grande massa. É justamente aí que a Starship espera vencer, na combinação de um software sofisticado e um serviço com ecossistema amplo, para lidar melhor com um número maior de entregas à domicílio.

Que comecem os projetos pilotos

Desde o fim de 2015, estão sendo realizados testes em cidades americanas e européias com os robôs da Starship, e os resultados são animadores. Eles circularam cerca de 8.000 km e depararam com mais de 400.000 pessoas sem contabilizar nenhum acidente, garantindo a eficiência do produto.

Portanto, a Starship Technologies vai dar início ao projeto piloto de robôs ainda este ano, e para isso, a empresa fechou uma parceria com quatro das maiores companhias da indústria alimentícia do continente Europeu: Just Eat (trabalha na entrega de alimentos), Hermes (empresa alemã que atua na entrega de encomendas), Metro Group (organização alemã que opera no ramo varejista) e Pronto (startup londrina que trabalha no delivery de comida).

Cinco cidades foram escolhidas pela Starship Technologies para participar do projeto. Os habitantes da Alemanha, Reino Unido e Suiça serão os primeiros a ter a oportunidade de utilizar dezenas de robôs autônomos da empresa, seja para receber ou entregar mantimentos, pacotes ou comida à domicilio.

O robô da Starship Technologies esteve em desenvolvimento durante cerca de dois anos, e agora pode realizar o delivery de forma autônoma em um prazo de entrega estimado entre 15 a 30 minutos, dentro de um raio de até 5 km a partir da central do estabelecimento.

Para os clientes dos restaurantes, a principal vantagem é que a entrega pode ser monitorada em tempo real por meio de um aplicativo para dispositivos móveis. Este mesmo aplicativo também será necessário para desbloquear o robô, uma vez que ele oferece ao consumidor um código que abre a carga assim que o robô chega ao local combinado.

Além da Europa, outro projeto será implementado nos Estados Unidos, especificamente em Washington D.C., que receberá mais 5 robôs para testes no mês de setembro.

Conclusão: um futuro muito próspero

A tecnologia pode ser encontrada em todos os aspectos da indústria de alimentos, e talvez em nenhum lugar isso seja mais verdadeiro que no serviço de entregas. Os consumidores estão pedindo comida quando, onde e como eles querem, e uma enorme quantidade de serviços de delivery, aplicativos de celular e plataforma de pedidos estão surgindo e prometendo ser a solução que os restaurante buscam para ingressar nesse mercado. No entanto, entre as diversas e potenciais promessas de novos rendimentos, estão os problemas de logística.

Ao invés de buscar soluções no chão, um bom número de empresas está olhando para os céus. Os drones são muitas vezes listados como carros-chefe quando se fala nessa revolução tecnológica: Amazon, Google e Foodpanda estão testando drones para entrega à domicílio.

Contudo, nem todos estão certos de que os drones são a solução ideal para os problemas relacionados ao delivery. Uma decisão mais “pé-no-chão” pode ser encontrada nos robôs, que poderiam compartilhar ciclovias e calçadas para entregar mercadorias, direto na porta de seus consumidores.

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Os robôs possuem muitas vantagens embutidas quando comparados com os drones: eles podem trabalhar em um quadro de regulação relativamente estabelecido; são, por natureza, menos perigosos, já que sua velocidade máxima chega a somente 7,2 km/h; e podem carregar encomendas mais pesadas e com maior estabilidade do que os drones.

No entanto, questões de regulamentação ainda dificultam a aplicação de ambas tecnologias, principalmente em relação aos drones. A verdade é que ainda vamos esperar uns bons anos antes que possamos utilizar robôs ou drones para entregas de alimentos no Brasil, cuja burocracia dificultará a implantação dessas soluções para restaurantes.

Enfim, não há certezas de qual será a melhor escolha para o futuro, mas certamente podemos concluir que, qualquer que seja a solução encontrada para o sistema delivery, ela trará imensos benefícios tanto para os consumidores quanto para os donos de restaurantes.

E você? Já tem algum plano de utilizar uma dessas tecnologias no futuro próximo?

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